Deusas, segredos?!

Fiquei pensando sobre as deusas atrizes de antigamente…

São tão perfeitas e femininas, exemplos na minha opinião do que é “ser MULHER”.

Se fosse uma questão de imagem ou o filme para as fotos que deixassem-as com aquela pele perfeita, estética encantadora e sedutora, hoje em dia com tanta tecnologia, “seriamos muito melhor”… a questão do pensamento é, qual seria o segredo que se perdeu ao longo do tempo?

Ok ok, as atrizes são lindas hoje tbm, sem duvidas, MAS, igual não há!

Pensando e pensando, chego a uma única conclusão. Não sei se muitos concordam, mas acho que vale refletir…

segredo?!

Educação!

Infelizmente ela é rara nos dias de hoje. Postura.

“Lady from Shanghai” para inspirar….

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Esta entrada foi publicada em 11/03/2011 às 1:50 AM e está arquivada sob Aplausos, Pensamentos. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

3 opiniões sobre “Deusas, segredos?!

  1. duda em disse:

    diferença entre garbo e hepburn.. – barthes.
    .
    O rosto de Garbo

    Garbo pertence ainda a essa fase do cinema em que o enfoque de um rosto humano deixava as multidões profundamente perturbadas, perdendo-se literalmente numa imagem humana, num filtro, em que a cara constituía uma espécie de estado absoluto da carne que não podia ser atingido nem abandonado. Alguns anos antes, o rosto de Valentino provocava suicídios; o de Garbo participa ainda do mesmo reino do amor cortês, onde a carne desenvolve sentimentos místicos de perdição.
    Trata-se sem dúvida alguma, de um admirável rosto-objeto; na Rainha Cristina, filme que tornou a passar nestes últimos anos em Paris, a pintura de Garbo tem a espessura nevosa de uma máscara; não é um rosto pintado, mas sim um rosto engessado, defendido pela superfície da cor e não por suas linhas; em toda esta neve, simultaneamente frágil e compacta, só os olhos, negros como uma polpa bizarra, mas de modo nenhum expressivos, aparecem como duas feridas um pouco trêmulas. Mesmo em sua extrema beleza, este rosto, mais do que desenhado, é esculpido no liso e no friável, isto é, simultaneamente perfeito e efêmero, e assemelha-se à fase farinhenta de Carlitos, com os seus olhos de vegetal sombrio e seu rosto de totem.
    Ora, a tentação da máscara total (a máscara antiga, por exemplo) implica talvez menos o tema do segredo (que é o caso das meias-máscaras italianas) do que o de um arquétipo do rosto humano. Garbo exibia uma espécie de idéia platônica da criatura, o que explica que seu rosto seja quase assexuado, sem no entanto ser duvidoso. É verdade que o filme (a rainha Cristina é sucessivamente mulher e jovem guerreiro) presta-se a essa indivisão; mas Garbo não chega a executar um verdadeiro travesti; é sempre ela própria, exibindo sem fingimento o mesmo rosto de neve e de solidão, tanto sob a coroa quanto sob os seus grandes chapéus de feltro. O seu apelido, Divina, certamente pretendia menos conferir-lhe um estado superlativo de beleza do que restituir a essência de sua pessoa corpórea, vinda de um céu onde as coisas são formadas e acabadas na maior claridade. Ela própria sabia-o: quantas atrizes consentiram que a multidão seguisse a maturação inquietante de sua beleza. Ela não: a essência não se podia degradar, era necessário que o seu rosto tivesse por única realidade e da perfeição, intelectual mais ainda do que plástica. A Essência pouco a pouco se foi obscurecendo, velando progressivamente com óculos, capas e exílios, mas nunca se alterou.
    Porém, neste rosto deificado desenha-se algo mais agudo ainda do que uma máscara: uma espécie de relação voluntária, e portanto humana, entre a curva das narinas e a arcada das sobrancelhas, uma função rara, individual, entre duas zonas do rosto; a máscara não passa de uma adição de linhas, o rosto, esse, é antes de mais nada a consonância temática entre umas e outras. O rosto de Garbo representa o momento frágil em que o cinema está prestes a extrair uma beleza existencial de uma beleza essencial, em que o arquétipo está se dirigindo em direção ao fascínio pelos rostos perecíveis, em que a clareza das essências carnais cederá o seu lugar a uma lírica da mulher.
    Como momento de transição, o rosto de Garbo concilia duas idades iconográficas, garante a passagem do terror ao encanto. Sabe-se que, hoje, estamos no outro pólo desta evolução: o rosto de Audrey Hepburn, por exemplo, é individualizado, não só pela sua temática particular (mulher-criança, mulher-gata), mas também pela sua própria pessoa, por uma especificação quase única do rosto, que nada mais tem de essencial, mas que é constituído por uma complexidade infinita de funções morfológicas. Como linguagem, a singularidade de Garbo era de ordem conceptual, a de Audrey Hepburn é de ordem substancial. O rosto de Garbo é a idéia, o de Hepburn, o fato.


    BARTHES, R. Mitologias. Trad. Rita Buongermino e Pedro Souza. 5ª edição. Difel. São Paulo, 1982.

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